
Balanço da crise econômica
No início do mês tivemos a notícia do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 6,8% comparado ao terceiro trimestre do ano passado. É uma boa surpresa porque contraria as previsões de retração da economia que ainda poderá ser sentida no quarto trimestre deste ano, já que houve uma queda acentuada na demanda de bens de consumo duráveis e na construção civil, em dezembro.
A inflação de novembro também veio mais baixa do que o esperado e tudo indica que a alta do dólar não foi repassada para os preços.
O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu no início do mês, por unanimidade entre seus oito dirigentes, manter os juros básicos em 13,75% ao ano, contrariando a tendência do resto do mundo em que os juros vão caindo e, em muitos casos, se aproximam do zero.
É verdade que uma redução de meio pontinho nos juros básicos não faria diferença de imediato. A política de juros leva tempo para fazer efeito e qualquer mudança hoje só será percebida dentro de seis meses. Mas uma redução dos juros, mesmo que mínima, poderá elevar o moral de quem tem de enfrentar as adversidades atuais e, provavelmente, acontecerá no início do próximo ano.
O presidente Lula, andou expressando sua indignação contra os juros altos praticados no Brasil – um dos mais altos em todo o mundo. Convém esclarecer, porém, que ele se referia ao spread, que é a diferença entre o que os bancos pagam e o que cobram de juros, e as tarifas bancárias.
A redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) contemplada no pacote de medidas anticrise, anunciado no inicio deste mês pelo governo federal, levou o Banco do Brasil a reduzir o spread bancário de 3,38% para 1,88%. A Caixa Econômica e os bancos privados estudam ajustes para se adequar às medidas.
Quanto ao problema de demissão em massa no início de 2009, os Sindicatos de trabalhadores já aceitam abrir mão de direitos e várias empresas estudam medidas, como redução de jornada e salários, a serem adotadas em janeiro, quando os funcionários retornam das férias coletivas.
A inadimplência do cheque atingiu o maior nível do ano no mês passado, com aumento de 12,5% em novembro deste ano comparado com novembro de 2007. Efeitos da crise global, como juros altos e crédito escasso, aliados ao maior endividamento, explicam o aumento dos cheques devolvidos por falta de fundos, segundo informou a Serasa.
O fato é que a crise econômica será longa e exigirá sacrifícios de todos.
E para iniciar o ano de 2009 dentro desse espírito, de sacrifício e cooperação, sugiro fazer a nossa parte já, promovendo a ceia de natal coletiva em nossas famílias. Ou seja, cada convidado leva um prato e desoneram o anfitrião de assumir, sozinho, as despesas com a celebração natalina.
Bom Natal a todos.
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