Em meu tempo de mocidade, quando se ouvia dizer que algum idoso tinha sido encaminhado ao asilo dos velhos, havia comentário de espanto, mesmo de críticas. Não se concebia que alguém, homem ou mulher, fosse encaminhado ao asilo pela família. Era assim naquele tempo, pois todos achavam que os idosos deviam ser amparados pelos familiares até o fim dos seus dias.
O tempo foi passando, o modo de viver se modificando rapidamente. Todos, homens e mulheres, trabalhando cada vez mais. O abrigo dos idosos se modificando também, e sempre para melhor. E chegou ao ponto de idosos procurarem esse local para passarem os últimos dias de sua vida. E na cidade começaram a surgir os hotéis dedicados aos idosos, com o pagamento mensal efetuado pelos familiares.
Há cinqüenta anos pensava-se de um jeito; agora se pensa de outra maneira. E como se pensa de maneira diferente, não faltaram os políticos demagógicos a inventarem leis ditas protecionistas dos idosos. Vemos atualmente o direito de os idosos utilizarem-se dos ônibus gratuitamente. No Rio de janeiro os empresários estão reclamando com o excesso de gente idosa que se utiliza dos ônibus.
Os bancos têm caixas somente para idosos; supermercados também. No dia da eleição tem preferência para votar todos os eleitores com mais de sessenta anos. Em todos os lugares, obrigatoriamente ou não, dão preferência aos idosos, menos nos planos de saúde. Quando se fala em plano de saúde idoso não tem nenhuma preferência. Muito pelo contrário! O preço mensal é dos mais altos para os que tiveram a ousadia de atravessarem a barreira dos sessenta anos de idade.
Se aceita, contrariado, que os planos de saúde se posicionem dessa maneira, pois o seu lucro está na inércia dos usuários, isto é, quando menos se usa maior é o lucro. É exatamente quando mais precisa que a pessoa idosa se vê privada de uma assistência que devia ter naturalmente e a um preço módico. Mas, deixando de lado tudo isso, o idoso não precisa de migalhas, de esmolas.
O idoso quer ser tratado com dignidade, respeito e simpatia. Não precisa de ônibus gratuito, não quer preferência em caixas bancários e supermercados, e vai por ai afora. O Idoso quer ter uma aposentadoria com salário digno, a fim de pagar passagens dos ônibus e tudo do que mais precisar. Quer ter um plano de saúde que possa pagar dignamente, sem precisar da ajuda dos filhos.
O idoso quer um lugar para se divertir e possa pagar a mensalidade adequada. A associação dos aposentados, incluindo a de Salto, tem a obrigação de exigir do governo Lula uma medida provisória estabelecendo um preço mínimo para os planos de saúde dos que atingiram a idade de 60 anos. Tem plano de saúde individual cobrando 600 reais mensais dos que pretendem ingressar nele, e com a respectiva carência.
Um casal terá de pagar mil e duzentos reais, afora o período de carência, além de ser obrigado a responder um questionário com mais de 40 perguntas. É o caso de se perguntar para as associações dos aposentados: o que estão fazendo a respeito disso? O sistema de saúde brasileiro é de uma deficiência reconhecida mundialmente. Mas o governo quer inventar mais imposto que diz pra a saúde. Mentira deslavada, como foi a extinta CPMF. O dinheiro vai para pagar despesas outras que não se referem à saúde...
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