A frase de Karl Marx nos inspira neste momento em que olhamos 2008 se definhar nos últimos 11 suspiros que a ele resta. Quando Marx disse “tudo que é sólido desmancha no ar”, descrevia metaforicamente uma das mais belas maneiras de se definir ideologias, formas de governos e modos de produção que trouxeram a tona uma palavra que nossa sociedade está mergulhada até o último fio de cabelo, o capitalismo.
Por mais que a crise global nos apavore no último trimestre do ano, 2008 foi um ano muito abençoado. Otimista demais, talvez! Entretanto nunca se viu o mercado financeiro brasileiro tão aquecido. Setores como a construção civil, vendas de veículos são provas cabais do que estamos falando. Percebam, não estamos aqui defendendo o governo Lula, nem nos iludimos, há subsídios que constatam isso, basta abrir a janela de nossas casas e olhar para a rua em que moramos. Quantos vizinhos reformaram suas casas? Ou quantos trocaram de carro? Quantos compraram o eletrodoméstico ou a TV de Plasma que tanto queriam?
Coisas materiais que são totalmente palpáveis e perceptíveis a olhos nus, mas que podem ser substituídas a qualquer momento. Não queremos nos ater apenas no desmanchar dessas coisas. Não percebemos, mas a velocidade do tempo se esvai rapidamente e nem notamos que também estamos num acelerado processo de desmanche. Valores ontem tão primordiais, hoje já se tornaram obsoletos e amanhã sequer serão lembrados. Quantas coisas prometemos no início do ano e não cumprimos, ou se cumprimos não damos tanta importância.
Assim como num ciclo de vida e morte quase natural, o ano 2008 se finda e percebemos que podemos mudar tudo o que nos cerca. Não podemos deixar que as coisas que realmente valem à pena se desmanchem no ar, no tempo. Temos 365 dias novinhos para acertar e começar a prestar atenção que devemos deixar se desmanchar aquilo que é supérfluo, enquanto as coisas essênciais, essas, devem ser eternas.
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