As calçadas saltenses...
Há várias décadas atrás o prefeito saltense caminhava pela calçada e acabou por tropeçar na mesma, caindo ao chão. Quebrou o pulso. Utilizou até benzeduras para acabar com as dores e o inchaço. Mas ficou brabo e começou a pensar na forma mais rápida de fazer novas calçadas na cidade. Não queria mais ver calçadas esburacadas. Nem cair novamente. E mandou o secretário da prefeitura tomar as providências adequadas. E quando um prefeito quer mesmo fazer alguma coisa, ele faz, e pronto! Ninguém segura! Haja vista para a construção do monumento à Padroeira.
E o secretário comprou as pedras portuguesas e contratou um trabalhador forte, de nome Anézio, para fazer todo o trabalhou. E o Anézio, para agradar, começou a trabalho pela calçada da rua da casa do prefeito. E o povo vendo a calçada ficou achando-a muito bonita. Elogios ao prefeito partiam de todos os lados. Até que começaram a chegar as contas aos proprietários dos imóveis. Os elogios desapareceram, dando lugar para críticas ferinas, principalmente da parte dos italianos, acostumados ao trabalho de economizar em tudo.
Mas o prefeito não quis saber das críticas e determinou que o trabalho continuasse e as contas fossem enviadas aos proprietários das casas e dos lotes. Depois de algum tempo as críticas desapareceram e voltaram os elogios. Afinal a cidade estava ficando com uma nova cara. E quando a festa setembrina chegou os parentes que vinham para a visita anual aos familiares, viam as calçadas novas, elogiavam bastante. Também, tinham de elogiar, diziam alguns italianos, pois não era do bolso deles que iria sair o dinheiro. No fundo mesmo os italianos estavam gostando bastante. Reclamavam pelo vício de reclamar.
E as calçadas feitas com pedras portuguesas duraram anos e anos. Ainda há trechos de calçadas com essas pedras. Entretanto, como sempre acontece em todas as prefeituras, sem qualquer exceção, elas fingem que não vêem a desordem que vai tomando conta da cidade. E começaram a fazer as calçadas sem as pedras portuguesas. Foram fazendo as calçadas de acordo com as garagens e não ao contrário, como manda a boa norma de construção.
Temos hoje em Salto verdadeiras montanhas russas, em todas as ruas da cidade. Uma vergonha! Há gente que prefere caminhar pelo meio da rua do que pela calçada, arriscando-se a ser atropelada por um carro ou motocicleta. O atual prefeito disse-me, em certa ocasião, que era um dos seus projetos refazer todas as calçadas da cidade, tornando-as civilizadas, isto é, totalmente planas, seguras para todos os pedestres. E como saltense espero que a sua promessa comece a ser cumprida o mais rápido possível.
Afinal, uma cidade que pretende ser estância turística tem de estar sempre bem vestida da cabeça aos pés. Imaginem uma mulher bonita, elegantemente vestida, e uma de suas meias esgarçada. Acabou a elegância. E Salto está sendo vestida com a elegância que se esperava. Os pontos mais importantes da cidade estão sendo revitalizados, ficando bonitos, lindos mesmo. Seria importante que a Rua José Weisshon fosse a primeira a ter as suas calçadas reparadas. Aí o complexo da cachoeira, jardim tropical e a praça da concha acústica estariam completos. Depois seria a vez da Rua 9 de Julho.
E não quero que ninguém fique torcendo para que o prefeito Geraldo Garcia tropece em uma das calçadas da cidade, caia, quebre o pulso, fique brabo, e mande fazer calçadas novas. Isso seria querer que a história se repetisse... Seria querer demais...
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