
“Quando damos algo para quem amamos não precisamos de condições ou de justificativas: ‘O Papai Noel trouxe o presente para você porque ele te ama’”
Para fechar as edições do perfil do ano, Alexandre Hirayama, de 29 anos foi escolhido por trabalhar há 10 anos num projeto de final de ano, que leva alegria e também o Papai Noel às muitas crianças da cidade.
Formado em Administrador de Empresas e atuante como Coordenador de PCP e Professor de Gestão de Produção, Hira como é mais conhecido, conta um pouco mais sobre o projeto do Papai Noel, que segundo ele, nasceu com o grupo de Jovens da Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat, o qual era um dos coordenadores. “Na época queríamos montar um projeto que sensibilizasse os jovens, todos deviam dar sua contribuição, independente da forma que fosse. Cada um ajudava de seu jeito, o objetivo era ajudar o próximo. Queríamos que fosse um projeto pequeno, mas que fizesse a diferença na vida de uma família. Fomos até a antiga favela da Lavras e conversamos com os moradores, fomos muitos bem recebidos, e o sucesso do projeto foi fantástico. O Papai Noel tem uma linda história com estes moradores, eram 17 Famílias e 35 crianças. Atendemos com cestas básicas, roupas, doces e brinquedos para as crianças. Fizemos uma coisa bem festiva e descontraída no dia 25 de Dezembro de 1998. Hoje o projeto não tem vinculo com o grupo, mas cresceu a cada ano com muita credibilidade e amor ao próximo”, conta emocionado.o
Voz da Cidade: Como o projeto funciona hoje?
Alexandre Hirayama: Não é complicado. As pessoas ajudam da forma que podem, nosso sistema é através de doação. Aceitamos cestas básicas, brinquedos novos e usados (em boas condições), balas, chicletes, pirulitos, aceitamos dinheiro também, pois compramos os mantimentos no atacado. Tudo bem justificado com Nota Fiscal. Eu envio uma cópia para todos que contribuíram desta forma. Depois, dias antes do Natal, convocamos os voluntários e empacotamos tudo. No dia 25 de Dezembro, distribuímos nos bairros carentes da cidade de Salto. As famílias que recebem os brinquedos e as cestas básicas são previamente cadastradas com o apoio do Grupo Escoteiro Tapera. É tudo muito bem organizado.
VC: Quantas pessoas trabalham com você nesse projeto?
AH: Atualmente estamos com média de 40 voluntários, inclusive pessoas de outras cidades.
VC: Porque a figura do Papai Noel é respeitada e tão importante no projeto?
AH: Na verdade ela não é só importante e respeitada para nós, mas por todo o mundo, ela é a simbologia que devemos presentear e fazer a diferença para alguém. Para muitos é a figura perfeita para o consumismo... Outros gostam de transformar uma figura tão bondosa como o Bom Velhinho num juiz que veio ver se a criança faz jus ao presente ou não. Nada disso me agrada. Gosto de pensar que quando damos algo para quem amamos não precisamos de condições ou de justificativas: “O Papai Noel trouxe o presente para você porque ele te ama.”
VC: Porque ajudar o próximo nessa época é tão constante na cidade?
AH: Não posso negar que o clima natalino desperta em muitos a vontade de ajudar, mas isto não é regra, há pouco tempo tivemos o exemplo de Santa Catarina, pudemos contribuir um pouco com este projeto e vimos os resultados. Foi maravilhoso, o povo saltense mandou 25 toneladas de mantimentos. Quando vi aquela montanha de doação, fique muito orgulhoso de nossa cidade.
VC: Existe algum projeto similar durante o ano?
AH: Sim, em agosto temos “O Dia de Fazer a Diferença” que fazemos vinculados com o Grupo Escoteiro Taperá. Temos em outubro “Dia das Crianças” e outros projetos que envolvem os voluntários.
VC: Como as famílias e as crianças recebem vocês?
AH: Com muita festa! Todos já conhecem a gente, temos um vínculo muito forte com algumas famílias. Temos uma criança muito especial para nós, o nome dela é Vitória, a conhecemos num barraco. Ela tinha nascido no dia que fomos fazer a 6º edição do projeto. Foi um dia que jamais esqueceremos, foi emocionante, porque a família não tinha nada para receber esta criança, eles estavam com muitas dificuldades, e naquele dia, foi a Vitória que fez a diferença para nós.
VC: Para este ano é provável que atendam quantas famílias e quantas crianças? De quais bairros?
AH: O foco do projeto é dirigido para as crianças, por isto, a meta é atender 6 mil crianças com pacotes de doces. Em torno de 1 mil crianças com brinquedos, estamos com 25 cestas básicas para ajudar algumas famílias. Os bairros que não faltam em hipótese nenhuma da nossa lista são: Marília, Cidade IV, Sta.Cruz, Nações, Salto de São José e algumas Cerâmicas. Passamos na maioria dos bairros de Salto.
VC: O que te atrai e o que te repele em Salto?
AH: O que me atrai são as pessoas, adoro o povo saltense, tenho orgulho de nossa cidade. O que me repele é a falta de oportunidade de emprego, adoraria trabalhar em nossa cidade, mas existem poucas oportunidades de trabalho.
VC: O que é solidariedade?
AH: Para mim solidariedade é sentimento nobre, a forma maior de alguém expressar o seu amor. Solidariedade é coisa fina e rebuscada. É um sentimento que faz a diferença. É comum nas grandes tragédias, quando se vê o espírito de solidariedade impregnado em cada rosto anônimo, em cada gesto esboçado na vã tentativa de poder reverter tal acontecimento. O mundo está cheio de exemplos de pessoas que são a própria solidariedade personificada, que são verdadeiros tesouros, que fazem desse sentimento uma bússola.
VC: De qual forma as pessoas podem ajudar?
AH: Através do contato do telefone (11) 7542-6276 ou pelo e-mail: alexandre.hirayama@bol.com.br.
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